Pólio e Síndrome Pós-Pólio


Poliomielite

 

 

As primeiras epidemias da poliomielite ocorreram na Europa, na metade dos anos 1800, na Inglaterra, e na América do Norte na década de 1890, nos Estados Unidos. Em 1908, Karl Landsteiner e Erwin Popper descobriram que o agente infeccioso era um vírus, que foi identificado em 1930.

Em 1948, Jonh Enders, Weller e Robbins conseguiram cultivar o poliovírus em tecido não nervoso e, em 1950, descobriram a ação citopatogênica do vírus sobre as células cultivadas in vitro; a partir de então, os três sorotipos foram reconhecidos. Esses achados permitiram o desenvolvimento para a elaboração das vacinas com vírus inativado de Salk e com o vírus atenuado de Sabin.

O presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, que contraiu a poliomielite tardia, aos 39 anos de idade, em 1921, patrocinou a pesquisa da poliomielite, e criou o Centro de Hidroterapia para os indivíduos com história de poliomielite em Warm Springs na Geórgia, que mais tarde foi nomeado como Fundação Nacional para a Paralisia Infantil, e que apresentava duas propostas de trabalho: tratamento da poliomielite e desenvolvimento da vacina. 

Essa instituição proveu suporte financeiro para as pesquisas sobre a poliomielite. As vacinas produziram um grande declínio na poliomielite, a partir da metade da década de cinquenta. 

A poliomielite foi, durante muitos anos, uma doença que deixou não somente em nosso país, bem como em todos os países do mundo, um grande número de pessoas com sequela paralítica.



Síndrome Pós Poliomielite
Esta síndrome tem sido reconhecida, há mais de cem anos, desde quando Jean-Martin Charcot em 1875, a descreveu pela primeira vez. Porém a SPP ficou mais conhecida após a década de 1980 quando vários trabalhos científicos foram publicados nos Estados Unidos.

A Síndrome Pós-Poliomielite (SPP), presumivelmente, é resultado de degeneração do neurônio motor, dos brotamentos axonais e/ou da placa mioneural. Ocorre em indivíduos que tiveram poliomielite aguda, geralmente após 30 a 50 anos, no mínimo 15 anos após a instalação da infecção.
Caracterizada, principalmente, por três sintomas principais: nova fraqueza muscular, com ou sem fadiga, dor muscular e/ou articular. 
Outros sintomas que podem estar presentes são: nova atrofia; disfonia; disfagia; insuficiência respiratória; transtorno urinário e fecal; transtornos do sono acompanhado ou não de cefaleia matinal; aumento de peso corporal; intolerância ao frio; ansiedade; depressão; problemas de memória.


Considerações sobre o tratamento
O tratamento por equipe multidisciplinar é benéfico para todos os pacientes com história de poliomielite. Mesmo para os que não apresentam novos sintomas é importante compreender o processo da doença, equilibrar as atividades funcionais com descanso, ortetisar corretamente e controlar o peso quando necessário. Isto pode contribuir para a redução de desenvolvimento de problemas futuros.
De uma forma geral, as principais orientações são baseadas nas queixas e sinais clínicos limitantes que o paciente apresenta, bem como nas características fisiopatológicas esperadas. Não há, até o momento, qualquer pesquisa bem conduzida que demonstre eficácia de medicamentos no processo de neuroproteção e ou de recuperação funcional.
As orientações práticas para os principais problemas que podem ocorrer no dia a dia das pessoas que apresentam SPP tem por finalidade melhorar a qualidade de vida. 

O presente texto foi elaborado pelo Dr. Acary Souza Bulle Oliveira - neurologista da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) onde atua  principalmente nos seguintes temas: doenças neuromusculares e doenças do neurônio motor.


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Em Outubro de 2016 foi homologado o Manual com as  Diretrizes de Reabilitação - Síndrome Pós Pólio, pelo Ministério da Saúde!!!